16 de ago. de 2012

Produção na sua forma geral. Uma abstração necessária.


Por mais que alguns indivíduos, e mesmo certos setores, se pretendam Robinson Cruzoe, toda a produção se dá em sociedade, e a produção individual só se faz possível partindo dela. Nenhum refinamento nos leva mais longe que ao ermitão, mesmo assim este carrega sempre tudo quanto viveu em sociedade, fugindo ou não, só dela. O mais, Robinson faz senão reproduzir as mesmas relações antes vividas, tenham elas sido meramente familiares ou tribais, e já neste momento brotava e se reproduzia a vontade de poder, ora centrada no pai ora no cacique, se entendermos primeiro o núcleo familiar, depois a tribo. O contrato social rousseauniano não parte do homem natural para construir a sociedade civil do seu tempo, parte do homem histórico, que desde o homem natural, havia atravessado outras formas de sociedade dentre tantas a idade média.
A sociedade civil, melhor, as diversas formas de conexão são simples mecanismos para o indivíduo alcançar os seus fins privados. Os fins privados, só são possíveis dentro da sociedade. Mesmo que abstraíssemos Almir Klink indo para nunca mais voltar. Mas ele sempre volta para o conjunto dos homens. Não existe a solidão, nem a sua busca, sem o outro, em face disso se o ser alcança a individualidade total, ele estará diante da própria negação. Não há indivíduo isolado.
O indivíduo evoluir isolado é tão provável quanto a linguagem existir isoladamente.
Os humanos são políticos por natureza, porque por natureza têm vontade de poder, e tal vontade de poder pode ser dialogada, e esse dialogo é politico, que é fazer valer a vontade de um em contrapartida da aceitação do outro. Os métodos de aceitação têm evoluído, sensivelmente, mas a força ainda é seu fundamento. Estado. Propriedade. Direito. Poder de policia, etc.
É dentro da sociedade civil atual – historicamente evoluída ( só posso pensar evolução no sentido que ela tem para uma Escola de Samba na Sapucaí, um continuo avançar) e em cada estágio evolutivo com sua peculiaridade – que se dá o processo de produção atual.
Nenhuma produção contemporânea existe fora do processo histórico humano e dentro da sociedade civil, por exemplo, o artista plástico, melhor o pintor, mesmo que o ignore, não pinta isento de Picasso, porque nem certas tintas e seus matizes sequer existiriam se o malaguenho também não houvesse existido, e o malaguenho muito, infelizmente, depende de um fato historicamente conhecido e sanguinolento, e digamos não somente o ataque a Guernica, mas todo o contexto de esfacelamento e o próprio cubismo, mas declarando aos infiéis o reconhecimento de suas capacidades individuais, e aos fiéis, da individualidade se dando dentro do conjunto da sociedade .
Cada época tem a sua produção. Há uma produção geral, apesar de produção geral se tratar de uma abstração, nos ajuda a economizar incursões, mas sempre lembrando das particularidades de cada momento histórico, que podem carregar por mais tempo características de outros, passados e até mesmo de tempos vindouros, neste caso, as vanguardas.
Até aqui o que tenho é a humanidade na sua forma de sociedade, e de outro lado a natureza, com seus materiais e instrumentos, e estes já alterados e desenvolvidos pela humanidade dentro do seu processo histórico, mesmo que seja a mão. Esta responsável pela grande evolução humana. O capital em todas as suas formas possíveis é um instrumento, que se desenvolve, desenvolveu, acumulou em determinadas mãos por determinados modos. E muitos desses modos não são naturais. Natural no sentido que qualquer curso que houvesse trilhado a história da humanidade nos teria trazido ao ponto que estamos. Muitas intervenções houveram, uma delas foi a revolução francesa. Sem ela a acumulação de capital seria hoje diversa. Isto só quer dizer que qualquer interferência é possível.
É de se supor que séculos antes da decapitação do rei francês, muito discurso – eram trabalhos de incrustação ideológica, que muito retardaram o aparecimento dum Robespierre – foi lavrado a respeito da perfeição do absolutismo, dando passo às vezes a um que outro reformador. O fato é que a guilhotina cortou a história em dois corpos totalmente diversos, o antes e o depois.
A produção seja ela abstratamente geral, particular quando inserida no contexto histórico, é Economia. Mas é Economia dependente da política, e política é a governança dos interesses das divisões sociais de cada momento histórico. A economia em particular é uma técnica, mas a economia política não é exata, porque não segue um caminho natural. Porque já negamos a naturalidade da evolução, que nada mais é que uma sequência de acontecimentos, onde o ato seguinte não é obrigatoriamente o caminho natural. O leão é natural mesmo dentro de uma jaula, ao sentir os ferormônios da leoa, não pensa noutra coisa que não cobri-la, para usar um termo caro da minha infância infame. Muito embora algum método que é usado pelo seu domador de modo a impeli-lo a fazer ou deixar de fazer, muito se pareçam, mesmos em dias atuais, aos empregados por determinados setores da sociedade civil, andamos um pouco mais evoluídos no processo de produção de vida.
Resumindo, a produção, mesmo a praticada por indivíduos singulares é social. Seja, sofre interferências do conjunto da sociedade, sendo que a produção se dá dentro de um modo de produção determinado, dentro da sociedade, e tal modo de produção decorre da divisão do trabalho, seja intelectual e o seu oposto. Muito devemos pensar no que concerne a substituição da mão pelo cérebro na questão da manufatura, esta enquanto aquilo que era feito pela mão. O cérebro de muitas formas tem substituído a mão no sentido de simples máquina repetidora de informações, e métodos, etc. Na época da revolução industrial, o trabalho intelectual era o de pensar o mundo, pensar as relações do homem com o mundo, com o trabalho, enquanto a mão tecia, fazia, moldava etc. Em tempos atuais o cérebro é usado como 'manufatureiro' enquanto instrumento da produção, por exemplo, traduzir um manual de instruções. Pode-se dizer de um trabalho cerebral, neste caso, não de um trabalho eminentemente intelectual, posto que não pensa, traduz.
Quando vimos hoje uma tela qual tocamos para realizar tarefas anteriormente digitadas, não devemos omitir que muito do trabalho intelectual necessário para se chegar a isso, foi de um neuro-filósofo-linguista de nome Noan Chonsky. Ele disse que o teclado não era ergometrico, que em nada tinha a ver com o humano. Já muito do uso deste instrumento na consecução de objetos, abstratos que sejam, não é mais que usar o cérebro como se fosse a mão. São processos cerebrais, tão repetitivos como o processo manufatureiro das industrias que remontam o Século XVIII, XIX e meados do XX.















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