27 de jun. de 2016

A primeira carta a El Rey.



Senhor meu, El Rey, nesta terra descoberta há uma geografia exuberante aonde  floresce calhordas e falsários nas regiões da Perícia do Sul, nos Fiscais do Norte, na Auditoria do Leste, e nos Tribunais de Contas do oeste. Nos vales insondáveis das Corregedorias setentrionais impera o cactus da cegueira ética. 
Por todo o  território encontram-se bem distribuídos aleijões morais de mil matizes e cantos. Há pradarias  por onde desabrocham desmandos armados e covardias gilmarencas, como se fossem cascatas, sempre que faz calor, mas principalmente quando os rios dos esgotos da petulância exalam seus cheiros e o povo tapa o nariz. 
Covardes e sinhozinhos se banham nos riachos de todas as veredas. Incompetentes são frutos que nascem em pencas, nas encostas, nos vales, à beira mar, nas reentrâncias de manguezais e em rios intermitentes. 
Nos picos mediáticos podemos avistar os eternos rufiões da pátria, imponentes na sua brancura, jamais degelam.
O mais espantoso, senhor meu El Rey, são os desertos dessa terra, como jamais se viu, aqui estão densamente povoados, com a mais genuína diversidade de delinquentes, malas-artes, bandidos, facínoras, biltres, bigorrilhas, birbantes, bisbórrias, borra-botas, cafajestes, canalhas, mariolas, meliantes, ordinários, pandilhas, patifes, safardanas, salafrários, sicofantas, súcios, trastes, tratantes, choldras, cínicos, corjas, crápulas, desbriados, gentalhas, ignóbeis, indignos, miseráveis, pulhas, ralés, sacripantas, arruaceiros, baderneiros, bagunceiros, bochincheiros, briguentos, mazorqueiros, rusguentos, turbulentos, malandros, bilontras, parranas, rufiões, sornas, vadios, vagabundos, velhacos, desgraçados, marotos, pícaros, safados, trampolineiros, ardilosos, caborteiros, embusteiros, facetas, jingotes, ladinos, maliciosos, manatas, muambeiros, repassados, sabidos, solertes, tainadores,traficantes, trapaceiros, treteiros, zainos, gatunos, malandros e desonestos.



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