9 de ago. de 2014

Ode e não ódio aos neutros.



O neutro não quer tomar partido, é abúlico e covarde. Frequentemente um parasita sem vida própria. O neutro faz da indiferença um sistema, não se queixa, não reivindica, não sai na chuva, não se compromete: é um peso morto, na história. E que quem pensa que não opera na história se equivoca, por não fazer nada, pela neutralidade, e precisamente por isso, o neutro deixa passar tudo.
Quando ouço que o melhor é ''panos quentes'', “prudência”, “canja de galinha”, diante das injustiças, me exaspero, porque para mim, viver é tomar partido. Parece que reproduzo Gramsci, mas é meu próprio ponto de vista sobre ser cidadão na contemporaneidade.
O sujeito que abdica da sua vontade, se demite da tarefa de exercer-se de pessoa, permite coisas que somente revoluções, revoltas poderão derrogar.
Pensou sim, ruminou sim, calculou sim, imaginou sim, prognosticou sim, mas não fez nada para a balança pender para algum lado, assim a prudência, o medo e o não correr riscos consentiram. Agora essa chorumela essa ninharia, mas quando foi necessário dizer algo, achou melhor não se comprometer... mas se soma sempre aos ganhadores de ocasião, para também ganhar, sempre, e sempre com a maior cara lavada de inocente.

Me parece que é o estado a que chegamos. Passou batido ao largo do tempo, e hoje, como vimos recentemente, nem botando fogo no mundo as coisas mudam, claro, passaram se décadas, e você mais preocupado em lavar o carro no fim de semana, em comprar um carro um ano mais novo que o do vizinho, agora meu velho, só trocando de você...

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