Me devora o tempo que ora para, ora acelera, fragmenta-se ou pega direções estranhas que não sei a qual universo vai dar: se vivo, se olvido ou lembranças... vejo e não vejo, mas sinto ver, e o que era deixa de ser e volta e teima ser, e não é. Ora, se retrato a rua realidade, mas... à cabeça cabeceiam coisas, outras: sombras e cavernas. Rumino o entardecer que neon ilumina com rodízio indigesto de limalhas perfurantes de músicas, digiro-as na lenta insônia, tripaperfuradoras a digerirem-me sonâmbulo, atado a anéis entrelaçados duma interminável corrente, que não se rompe, encadeado os vejo saltitantes, num jogo de faz e desfaz, indecifráveis.
Sempre que ouço este frevo rasgado de Moraes Moreira, choro.
Desta vez não chorei e saiu isso ai acima escrito.
Chão da praça.
Olhos negros cruéis tentador
das multidões sem cantor.
Eu era menino
menino
um beduíno
ouvido de mercador.
Lá no oriente
tem gente
de olhar de lança
na dança do meu amor.
Tem que dançar a dança que a nossa dor é que balança o chão da praça.
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