6 de nov. de 2012

Meta. Mito.


Meta. Mito.
Refúgio.




Consciente ou não dos nossos limites, revoltados contra eles, ou não; somos infalíveis construtores de mitos, ainda que à nossa semelhança, e para tanto largamos para trás as restrições de que padece a nossa existência. Ao mesmo tempo estímulo e refúgio, o mito pode nos induzir à passividade, se praticamos a contemplação. Caso contrário, a ação mitológica, e se a imitamos, como ação, a convertemos em meta, em modelo, creio que é isso que nos convém emular.
Hoje como na antiguidade vale a mesma cosmogonia dos deuses, eles se apaixonavam e lutavam como homens, é certo porém que venciam a morte.
Deixando de lado as personagens imaginárias, a história está cheia de homens e mulheres reais que se transformaram aos olhos de seus coetâneos em figuras míticas. Getúlio, Roberto Campos, Lula, Dilma, Golberi, Hebe, Ana Terra, Luísa Erundina, Hilda Hilst, Aírton Senna, FHC, Delfim Neto, Pelé, Paulo Francis, Joana D'Arc, Alexandre o Magno. Projetamos nos mitos nossos sonhos e frustrações.
A mente da criança mergulha com entusiasmo no universo mágico, He Man, Dart, sei lá faz tempo que não sou criança, mas ao mesmo tempo estes heróis são humanos e lendários, quase sempre partem da realidade, ainda que revestida de imprevistos luxuosos.
Nunca me esquivei com desânimo ao contato com a cara áspera da realidade, é uma tentação, por demasia, banal, rasa. Afinal dizemos sempre: Cara feia é fome.
Não me deixo enredar pela dimensão épica a que se propõem acentuar às meras competições esportivas, são meras competições esportivas, ou mesmo ludicidades banais, mesmo até e por vezes lúbricas. Daí e desse convívio e de contrastarem-se, nessa lubricidade, vem a distorção; os discursos céticos e pessimistas. É a mais pura impotência. L'impuissance mise en action. A impotência posta em ação. O acionamento da impotência.
Em momentos de dureza e dificuldade, nem a resignação derrotada nem a utopia imprudente são as opções mais recomendadas, mas, quiçá, a ambição responsável, mas se o muro infranqueável rachou!
Creio que nos falta alguma audácia, a audácia necessária, para ir além, tudo sem abandonar a lucidez. Aqui reprendo reaprendo o sentido do mito, que a miúde está ou é percebido como um convite a audácia. Não podemos nos permitir nem a indiferença nem a inibição.
Passos para adiante e com determinação, é o grito de guerra, e como referência o empenho e a capacidade de liderar. Não se trata de nos darmos poderes desumanos, mas nos ancorarmos em valores cívicos e nobres. Temos que ser mais ambiciosos, como classe, enfim, como sociedade.
É duma sociedade com riqueza cultural, social e econômica que brota o indivíduo rico econômica-social e culturalmente. O movimento contrário só nos faz onanistas ególatras.    

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