10 de set. de 2015

Seja tolerante, é seu maldito dever!



Ele era bem pior, mas o chamavam:  misógino, misantropo. Tratava as pessoas como se produzidos em série.
Botava o chapéu na cabeça, pegava a bengala e saia pampeiro pelas ruas. Ruminava o mantra:" Seja tolerante, é seu maldito dever", o que  era incapaz de cumprir.
Falo de Arthur, Arthur Schopenhauer, claro. Como todo jovem alemão daqueles dias, deveria lutar contra Napoleão, no entanto resolveu partir para uma briga de punhos cerrados com o Princípio da Razão Suficiente, se tornou filósofo. Acabou por escrever um livro, e todo cheio de ilusões, aproveitou que ainda era amigo de sua mãe e a entregou para que lesse. Ela era, então, grande escritora, amiga de Goethe. O título do livro; Sobre a Quádrupla Raiz da Razão Suficiente. Ela rio e disse que devia ser um manual para boticários. Ele disse-lhe, que seria ainda lido, quando em nenhuma estante do mundo se encontrasse um dos livros dela. Não era, em absoluto, de fazer amigos. E dizia com suas palavras e não estas, que não é prova de  mérito e nem de grande validade ter muitos amigos. Como se os homens empregassem a amizade em troca do mérito e do valor! Como se não se comportassem como os gatos, que amam quem os acaricia, e lhes dê migalhas, e logo já se vão. Será amigo, bastando carícias, até a fera mais abominável! Não tinha amigos e tinha sua Razão Suficiente: não são dignos de mim. Ele que ao se irritar com Atman, seu cão dizia, " Humano, mais que Humano" , foi visitar a estufa do Jardim Botânico de Dresden ficou boquiaberto, tanto foi, que o vigia diante de tanto deslumbre lhe perguntou quem ele era. Quem sou eu? Perguntou Arthur. "Se o Senhor me pudesse dizer quem sou, ficaria muito agradecido. 

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