3 de set. de 2016

Que medo! Çô!

Que medo! Çô!

Havia uma pomba
Na minha varanda
Pensei que voava.
Mas não voou
Convidei pra minha mesa
Na mesa ficou.
Sonho com um corredor compridão como a vida
Sonho o corte que abre em talhos a jaca do sonho
Sonho o silêncio de canaviais e tempo e paz de ruas solitárias.
Outro dia a casa incendiou, minha avó gritava: Vai queimar o carro! Vai queimar o boi!
Não foi, vieram os bombeiros e não se queimou.
Sonho com uma bronca que seca a garganta
Sonho com poluções de noivo e vaginas úmidas
Corações correndo famintos atrás da angústia
Mortos que voltam
Vivos ausentes.
Sete da noite
Chamada in-box
Então?
Me subiu um calor até a cara, a orelha!
Que valentão!
Aceitaria, se te convido ao caminho sideral do amor?
Talvez, talvez decepasse a bramante cabeça de leão, para o cesto de Robespierre,
Mas, não cortará o fio da CPFL que me percorre.
Havia mortos entre os mortos vivos e tartarugas do tamanho de imensas azeitonas, muitas.


30 de ago. de 2016

A Morte.

A Morte.

A Advertência.

Advirto que não se deve ler este conto assim como ele se apresenta. Creio que se deva saltar linhas, ou palavras, mesmo parágrafos, ainda que isso retire algum sentido, se acaso nele existir. É um gedankenerfahrung cujo intuito é matar o leitor. Lembre-se de que a curiosidade matou o gato. De acordo com os saltos, ele poderá ser engraçado, triste, angustiante, ou se não seguir a advertência: mortal. Portanto, pense com cuidado antes de atuar, ser independente pode ser divertido, mas também muito perigoso. Boa sorte e riobalde.

A Introdução.

Está na casa da vó Vicenza com seus dois melhores amigos, e teu cachorro Pitbull. Há três anos visitou a casa pela última vez, quando a avô ainda vivia. O fato de haver uma máquina de engrenagens engraxadas cheia de polias, bicicletas sem selins e peles de vaca no pátio, é algo que te preocupa sobremaneira. Um duende vestido de azul turquesa, com um logotipo no peito no qual, depois de bastantes esforços, consegue decifrar as letras EPLOG, o duende dotado de três bundas, que antes dela falecer, atiçava os rotweillers a avó Vicenza. Ele está atento a um relógio e Você lhe diz: necessito que me aperte esta porca. Noutras palavras, ele lhe passa uma receita com instruções que dizem de que maneira acionar umas alavancas, uns pedais, e os botões de um dial que chia como um rádio velho numa velha radionovela sobre chupar cana e assobiar . O duende, obediente, morosamente, lê as instruções que lhe dá. De muito, merda, que bosta, que vai-vem, que ruína, sai da máquina uma banana dourada de sol, perfeita, simétrica, similar àquela outra que, por obra de Bloon, Dédalus, enfrentou Aquiles e os filisteus de filamentos filhas gretadas.
Você acaba de resvalar em algo, e está caindo até as profundezas da mente de Paulo. De certo modo te atrai a possibilidade de analisar tudo desde esse outro ponto de vista, de outra maneira não poderia apreciar todos os detalhes do processo, mediante o qual haverá, com certeza, uma saída. De qualquer forma, Você pensa num impacto, e pensa em amortecer sua força. Todos estes pensamentos desfilam por tua mente com a velocidade de um relâmpago. Se você ainda não pulou nada, creio que deva ser essa a hora.

O Compilador.

O que é um compilador? O compilador é um bicho, que de raro tem outros bichos, que converte tudo que estou escrevendo em um ato, um fato, uma ação, como converte uma bola de parenteses numa tira como se fosse a grama de um campo de futebol. Eu olho para ele e se parece a uma centopeia, e vou contar as patas, não sei se me atrapalho, mas chego só a noventa e oito.
O que acontece nas entranhas do compilador? Quando Você dá uma série de instruções, é como se Você ingerisse um pedaço de bolo. Um compilador adora parenteses; ele vai quebrando em pedaços menores. Há algum tempo os zoólogos que cuidavam dos compiladores, adoravam esta fase. De certa forma é coisa linda, claro, complexo. Mas não é de fato, relevante. Hoje sabemos que a verdadeira transformação começa no estomago do bicho onde o bolo alimentar fica dando voltas. Em vez de escrever as coisas na ordem natural, de fora para dentro. O bolo se transforma em um fio, onde aparecem, antes, as partes que estavam mais internas. Alguns lugares do bolo, aonde as enzimas têm que ir e voltar, são marcados por uma bandeirinha. O estômago deixa as bandeirinhas assim como estão, penduradas no fio. Mais tarde o intestino se ocupará de tirar as bandeirinhas.

A Mente.

Você decidiu submergir diretamente nas profundezas de minha mente. A medida que adentra, a luz fica cada vez mais ténue, e Você começa a sentir tonturas e perde a consciência.

O inferno.

Você não chegou até aqui de vontade própria, nem seguindo instruções, apesar de tudo está aqui, em Janaína.
Habitualmente, as mitologias e lendas tratam de substantivos fantásticos, sejam animais, lugares, monstros, espadas cravadas em pedras, o pote aonde caiu Obelix ou semideuses. As lendas de Janaína Mayara falam de verbos mitológicos. Por exemplo, se conta da existência do verbo funarer, metade nascer e metade morrer. O verbo reflexivo pinoter, que corresponde a ideia de voltar sem ter ido. Se diz que a primeira pessoa que se pinote uma noite de lua cheia, funerará.
O verbo fantástico gromosar significa “pronunciar gromosar”. Os professores de mitologia Janaína Mayara costumam gromosar quando fazem referência a este verbo. Um grupo de verbos mitológicos relacionados, provavelmente inspirados em gromosar, são os três verbos conhecidos como placinados: placir significa “pronunciar cofer”, cofer significa “ pronunciar roscoir” e roscoir significa “pronunciar placir”. É muito frequente, que aquele que trata de descrever o que é o que está dizendo mediante o uso destes verbos desperta a confusão nos que estão atentos às diferenças entre “uso” e “menção” e “ menção “ e “uso”.
Outro verbo ligeiramente relacionado com estes, é atutir, cujo significado é “ compreender o verdadeiro significado de “atutir”. A lenda diz que no instante em que alguém por fim atute, seja, por fim compreenda o verdadeiro significado do verbo atutir, o verbo voltará a ser novamente um príncipe, e o afortunado descobridor se converterá em pedra.

A Paciência.

Agora que Você está nos cantos mais profundos da mente, você deverá decidir se sua paciência esgotou ou se já é hora de voltar para casa. Sem preguiça, você está na casa da avó Vicenza.
Felizes por teu regresso, ainda que nem tanto, o duende vestido de azul turquesa, teus dois melhores amigos, e teu cão te perguntam: aonde esteve? Por mais que insista e Você insiste em que estava na minha mente, te dizem que Você cheirou peido debaixo do lençol.

O Fim.

Depois do fim, uma continuação. Você despertou num quarto aonde há um dragão. Então aparece o centauro Aloísio e o fauno magno Malta, uma corte de bufões, arlequins com calças furadas, reis de são joão del rei, guerreiros visigodos, desamores da adolescência, dragona a primeira namorada do Lesmão, a turma que não sabe inglês, Les Luthiers, diego Hipólito e sua irmã, poemas em catalão, demostradores de peidos coloridos, a turma da mônica, a menina veneno, gisele bündchen e um grupo de jaz cantando ma mama cu sá, e a Sá coça o saco e saca essa: Afrodite, rapaz, me dá logo esse pomo da discórdia. E se não der? Te mato. Ah! Bom! Então te dou.
Ai tem um problema de continuidade das geografias porosas: a maçã ficou no outro mundo, longe paracaralho, longe do caos perto do coração. Mas Você, Você ou afrodite? Bom estamos num descontinuísmo. Há uma receita de maçã em conserva que Você conserva. No entanto, aonde andará o duende? E a máquina? E o asteróide? E a avó Vicenza? E o B-52? Todas essas coisas já não te atraem proporcionalmente ao produto da massa e inversamente ao quadrado da distância.

A comida.

O mais curioso é que a receita não é a mesma coisa que a comida. Tem uma porrada de arestas, e por não serem a mesma coisa, apresentam outros aspectos, que são na realidade o mesmo: toda receita é toda comida receitável.
O intestino delgado ou delicado consta de duodeno, íleon, cólon, estribo, refogado, sal e pimenta a gosto, duas asas de frango e batata na manteiga. Ah! Bastante salsinha picadinha.
O Sancho.

Donde se conta como Sancho Pança apareceu com intestino solto e outras muitas coisas dignas de contar e de saber.
Valha-me, Sancho promete mostrar sua máquina e que se as instruções precisas são imprecisas, é capaz de construir uma maçã e acabar com a discórdia da simetria ou esta maçã é para a mais bela.
Lamentavelmente, a máquina do fiel escudeiro não se parece com a do duende. Não passa de um tubo de papelão reciclado. Pançisancho diz:
não se preocupe dom cidão, já esta desmonstrado... quê? Livre de monstros. Porra por que não cala essa matraca? Alan turing?
Não passa pela tua cabeçorra que está perdido?
Não creio, afinal, não foi Noé quem botou na sua barca um casal de Aedes aegypti, e o E. Coli?
Veja, o bicho é mamífero, mas ovíparo, anda pelado e é ávido e não há havido mais maçãs, nem duendes, então bispo da dama c 3.




Bobina quente

Ai a bobina do fusca esquentou, então tive que procurar água, aí encontrei , depois de uma invernada, uma estradinha que vinha do leste, fui caminhando batendo aquela garrafa pet vazia na perna, pow...  eram duas trilhas onde o mato entre elas havia crescido muito, há muito tempo. ... foi então que divisei uma casa com terra batida à sua volta e galinhas a ciscar um cateto chafurdava entre bananeiras...
- Tarde! Ouvi uma voz,  mas não divisava seu dono, então retribui à eira, por se acaso...
- Quente! Ouvi, e a voz vinha da sombra de um jatobazeiro, quente pa carái, enquanto tentava decifrar entre tronco, raizes, sombras, raios de sol e folhas um ser, que se tornou visível pela brasa do pito, depois o fumo subindo e se espalhando entre os feixes de luz, agora os olhos em meio aquele rosto de 100 anos de terra e cortiça...
- Uai, traz a junta pa beber...
Expliquei  que não era um carro de boi, houve entendimento, mas se complicou, e esse tar de motor bebe água? ... o papo foi longe e ele me fez um café, metendo um tição ardente na caneca com água... quando ia me retirando ele perguntou: E o dotô  Vargas, tá forte ainda?

25 de ago. de 2016

Brindo com lirica murcha

Brindo com lirica murcha
herdada de senis gerações
pentelhos grudados sabões
peidos sob a morna ducha

a todos que pisam em titica
tantas outras mais com seus nãos
e ensaboam o torto com as mãos
porque se não o lava, te bica

Canto caca na grama da fiusa.
poça que circunda o mictório
a água turva de urinois viúva.

o imbecil que olha essas cagadas
ao não recordar; nessas redunda
existia quem o limpasse a bunda


22 de ago. de 2016

Chapeuzinho

Os lobos, principalmente os maus, porque por incrível que pareça há lobos bons, andavam insolentes e fora de controle no velho condado, chegavam a roubar os caminhantes que se aventuravam pela matinha de Santa Teresa. Saiu a lua cheia. A matinha se tingiu de ouro pálido. Nesse instante, Chapeuzinho viu sair das trevas uma silhueta que ia se tornando cada vez mais precisa. Vestia camisa branca com suspensório, calça preta no estilo advogado trabalhista. Caminhava sobre duas patas, mas era um lobo. Abriu abaixo de seu formidável focinho preto sua boca baba vermelha e disse: “ Oi, boneca, que te traz tão tarde por aqui? Chapeuzinho não respondeu. O lobo agarrou a cesta. “ Tá boba?! Vou levar esta cesta”. De debaixo do pano com motivo quadriculado, igual ao de toalhas de mesas de cantinas italianas no Brasil saiu uma vozinha,: “ Que amável é você, jovem, e deu um rizinho selvagem.” Num sobressalto, o lobo deixou cair a cesta. Uma cabeça de mulher saiu rolando. A cabeça deu um salto e mordeu com fúria o entre-coxa do lobo que uivou de dor. “Saude a vovozinha, seu lobo” disse Chapeuzinho, que tinha os olhos vermelhos donde saiam horríveis fachos de fogo. Sua boca se abria e mostrava horripilantes caninos desmedidos. O lobo corria e ao seu encalço iam a cabeça e Chapeuzinho.

17 de ago. de 2016

Carta a Glenda.

Carta a Glenda!

Faz dez anos que nos fomos. Isso é muito tempo sem te ver. Ficaria lindo e perfeito se fosso assim: “Hoje faz exatamente dez anos” ou algo assim, mas, honestamente, não me lembra a data exata. Creio que foi, mais ou menos, no inverno, uma quermesse, talvez você se lembre.
Nos primeiros dias tentava gravar algumas coisas na memória. Aquelas que ainda não havia te contado. Antes que eu tivesse ido, nos contávamos tudo. Suponho que sentíamos algum vazio e queríamos enchê-lo. Como essa gente que enche a casa de filho. Me parece que nessa época tinha esperança de voltar.  Agora já está tudo tão longe. Também, se passaram dez anos. ( E se você ler isso, verá que ainda não amadureci). Me lembro dos fatos principais, e de alguns momentos particulares, mas os sinto como quando encontro algum texto que não lembrava ter escrito, igual a quando minha mãe que me ligou perguntando o que era aquele frasco, que encontrara quando botava ordem no quartinho, “tá escrito poção mágica”, penso que é dos meus doze anos, não lembro mãe, mas deixe guardado!
Bom, penso que dizia que no começo queria gravar as coisas na mente; mas em seguida começaram a se acumular; eram muitas recordações, ultrapassaram a massa crítica, pensei que a melhor forma de conservá-las fosse começar a escrevê-las. De cara pensei em mandar uma carta diariamente. Bem que me lembro que adorava receber cartas.
Então, assim comecei a escrever o diário e assim fui fazendo. Agora deve estar se perguntando  por que nunca os enviei. A resposta é que sou um desastre. E me é muito difícil que esse tipo de hábito frutifique. Para essas e outras nunca fui disciplinado. Quantas vezes disse ; A partir de hoje vou correr todos os dias” , e não durei dois dias.
Até  comecei, religiosamente, mas sempre surge alguma obrigação que impede a indústria, ou serve como desculpa, e quando se interrompe por um dia, logo esculacho tudo. Assim de diário foi a semanário, e ao fim de alguns meses, o abandonei.
Agora já passou demasiado tempo, e todas aquelas coisas que planejava te dizer acabei esquecendo, ou estão obsoletas, ou caducadas. A quem pode interessar o cotidiano de dez anos atrás? Ainda que sejam coisas que não foram ditas no calor da convivência!
Acho que já não faz sentido te mandar as coisas que escrevi. ( Melhor que fiquem na gaveta do meio, espécie de limbo). Mas ao menos gostaria de te dizer que as escrevi. Havia uma montão de coisas para falar, perguntar, que me houvesse gostado que as respondesse. O tempo faz com que qualquer sentido se perca ou em nenhum momento tenha feito sentido compartilhá-las. Talvez, nenhuma forma de comunicação faça sentido. Talvez o melhor mesmo seja esperar pela ação do tempo, que as devolva à insignificância.  Talvez essa carta não faça sentido.
Talvez não te a mando! 

15 de ago. de 2016

Clean up woman
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Hoje decidi atacar a Dinamarca. Por quê? Ora por quê! Porque já cheirava. Os daneses me levaram a um praticar um difícil  combate. Comecei achando que era a geladeira. Usando táticas de guerrilha, e na verdade, seguia o conselho de Sun Tzu. É um livro fantástico, segundo como o toma. Foi idealizado muito provavelmente para a guerra, mas já no século passado virou livro de cabeceira de manager de grandes corporações, aonde o alvo é o consumidor. Ria, pois rio. Mais recentemente foi usado por um treinador de futebol, e a coisa acabou na batalha das alterosas, o vexaminoso sete a um. Eu, tomado da necessidade de enfrentar a Dinamarca e seus daneses, passei a lê-lo, enquanto cozinhava algo, in loco. Como dizia, enfrentei cada batalha, a geladeira, o fogão, a coifa, a pia, os azulejos e por fim a ucharia. Todos caídos. Amanhã enfrento os ingleses, a começar pelo vaso!